Reflexões para estimular e despertar a emancipação do sujeito; contribuindo para construção do conhecimento crítico e científico na temática de saúde, educação e direitos humanos

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20 de dez. de 2009

Política

Mas é incrível como as pessoas ainda vêem a política como uma "carreira", uma profissão... Se for isso, teremos sempre um exército de "gestores", o que é uma fraude à democracia. Não existe carreira de político. Existe caminhada de lutas. Você é um estudante, um líder comunitário, um advogado, um médico, um escritor, um artista, um professor, enfim, você é um ser social que se mobiliza, e aí então você passa a fazer política. O caminho contrário, quando alguém que não é nada socialmente ou não representa a nenhum setor social específico se dedica a política, temos uma político "de carreira", ou pior ainda, um carreirista partidário. Não tendo representatividade, passa a representar os interesses que lhe serão úteis para crescer eleitoralmente. Que são sempre alheios aos interesses da democracia. 
Representa quem financiou sua campanha, representa os interesses partidários, representa inclusive corporativamente "os políticos", que passam a ser sua "classe". E assim, passa a representar uma casta social, a dos mercenários da política, que podem tranquilamente abandonar um partido por outro, que podem sem pudor mudar seu domicílio eleitoral ou que podem, como disse recentemente um deputado de nossa ilustrada província, "se lixar na opinião pública". 
 Existem ainda os que entendem que a política é uma extensão do trabalho de assistência social, e pensam que "fazer o bem", ajudar os outros, fazer trabalho voluntário é fazer política... E a maioria das vezes acabam fazendo assistencialismo (que é quando você ajuda sem se preocupar em resolver a raíz do problema) que se transforma em clientelismo quando esses favores são trocados por votos, o que mais se vê por aqui, na nossa cidade, não é verdade? 
Nós fazemos política todos os dias, a política e a participação não é apenas digitar um número numa urna a cada dois anos, ou apenas votar numa instância partidária. Fazemos política contribuindo a desmascarar os falsos mitos que servem de sustentação a democracia representativa que só serve à poucos. Fazemos politica estando junto do povo todos os dias nas suas lutas pelas melhorias de vida, e não apenas nas campanhas eleitorais. Fazemos política lutando contra a indiferença, a resignação, o individualismo e o derrotismo, não somente distribuindo santinhos de papel colorido. E assim, quando a ação partidária se torna eficiente e passamos a estar em sintonia com as pessoas, e nos sentimos capazes de representá-las, é que nos lançamos candidatos. 
E não interessa se ganhamos ou perdemos: interessa se tivemos a capacidade de ser coerentes para representá-las. Temos que criar novos militantes, cada vez mais, de caminhadas coerentes e firmes, para não chegarmos às eleições somando apenas militontos sem nenhuma perspectiva de representar a ninguém, que apenas servem para acumular votos para os que mais tem experiência, dinheiro ou já estão no poder.
A democracia exige a alfabetização política da população, o que nada tem a ver com doutrinação, mas tem tudo a ver com informação, conhecimento, aumento da autonomia e da capacidade crítica de cada um. Separar as águas é uma exigência da democracia. O aumento da abstenção eleitoral, a reduzida participação na vida cultural, cívica e política, o encolher de ombros face ao que nos é comum, são comportamentos correntes de muitos cidadãos. Não é de estranhar que uma maioria crescente da opinião pública vá encolhendo os ombros e dizendo que os políticos são todos iguais, ou, que nada sabem ou nada querem saber de política. 
O poder dominante, para dominar, precisa que predomine o analfabetismo político. Quando o analfabetismo político predomina é natural que tudo pareça igual e seja visto com a mesma indiferença. Por outro lado, a falta de formação permite que a atividade política seja cada vez mais futbolizada. Assim, muitos políticos adoptam o comportamento dos hooligans, defendendo fanaticamente as suas cores e pelo seu lado, os meios de comunicação social preocupam-se apenas em transmitir os resultados das contendas entre adeptos. 
Cabe aos que não fazem parte do coro dos contentes, juntarem-se, criar e fazer soar as melodias da civilização que se pode opor à barbárie. Por isso, meus caros, cultivem-se. Olhem para o que se passa à vossa volta ! Olhem e vejam... Leiam ! Pensem ! Discutam ! Comentem ! Baseado em http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090212171339AAwaFye e http://vcvesteio.blogspot.com/2009/05/eleicao-politica-ate-quando.html ATÉ QUANDO?